Ano 5

Recomeçar

08:00


Criei o Entre Sujeitos e Verbos em 2012. Mais precisamente em 3 de agosto, dia em que é comemorado o fim da censura no Brasil. O objetivo não era grande: escrever o que me desse na telha. Já tinha tido outros blogs e sentia falta de transformar o que sentia em palavras. O resultado eram milhares de cadernos e notas inacabadas no celular. Então criei o ESV para reunir tudo isso.

Escrever neste blog me trouxe muitas experiências boas. Lembro de diversas delas com uma sensação de bem-estar que não sei descrever. Até que a rotina (sempre ela) me impediu de escrever, de publicar, de dar atenção. Entrei para a faculdade. Jornalismo. Retomei o blog, afinal, jornalistas e blogs têm tudo a ver. Mas aí a falta de tempo e a sensação de que errar aqui poderia arruinar minha futura carreira me afastaram desse mundo que eu tanto gostava (ah, o ego!).

Das vezes que tentei voltar, sempre achava que não estava perfeito e que alguém veria e eu não podia errar etc etc. A verdade é que nunca ouvi alguém reclamar de fato (será que alguém se importava mesmo?). No fim das contas, muitas vezes nós mesmos somos a nossa própria censura.

Quantas vezes você deixou de fazer algo porque achava que alguém diria alguma coisa? Quantas coisas você deixou para trás ou nem mesmo começou?

Re(comece)...

Nos últimos meses, entretanto, insatisfeita com alguns aspectos da vida, resolvi mergulhar em leituras sobre autoconhecimento e repensar minhas ações. E a vontade de conseguir tempo para escrever voltou com força. Além de planejar com cuidado e enxergar meus sonhos como algo possível, já que minha ansiosa geração acredita que já deveria ter a vida perfeita aos 20 (e aqui cabem muitas definições de vida perfeita. O que seria a vida perfeita para você?).

Enfim... Resolvi recomeçar o Entre Sujeitos e Verbos por um motivo: não deixar que este projeto que tanto aprecio terminasse de vez no limbo dos blogs arquivados, sendo substituído por outro. O nome ainda me serve. O jeito só precisa mudar um pouco, mas continua com a essência que sempre teve.

... sem medo

Eu ia meio que voltar com o blog do zero e os posts antigos não seriam mais vistos. Mas achei que seria cruel fingir que nada antes disso existiu. Então abro as difíceis portas atrás das quais escondi minhas ainda primárias aventuras pelo mundo da escrita (e ainda não são?) e deixo que vocês vejam o antes, o agora e o daqui em diante. Tudo serviu para que eu chegasse aqui hoje. Não que eu tenha alcançado o topo do mundo, não me entenda errado. Mas tudo que escrevi faz parte do que escrevo hoje. E, por mais difícil que possa ser, vou tentar compreender toda essa complexidade e passarei a olhar meus escritos com ainda mais cuidado e sem medo de expô-los por aí.

Então recomeço. Com tudo o que fui e aberta ao que posso ser.

E isso significa compreender que este espaço ainda pode mudar muito, junto comigo, como tem sido até aqui. Por enquanto, mensalmente trarei conteúdos temáticos com o objetivo de nos inspirar a acreditar que é possível. Será sobre gente, para a gente. Porque eu sempre gostei do ser humano e continuo a acreditar nessa espécie. Ainda que muitas vezes tenha motivos para desistir.

Vamos juntos?

Anos 1 a 4

O truque de mágica de Buster Keaton

11:17

Este post foi escrito por Bardo quando colaborador do Entre Sujeitos e Verbos



O cinema mudo e preto e branco é comumente encarado de forma preconceituosa pelo público em geral. No entanto, como o valor do tesouro geralmente é avaliado por sua antiguidade, esses supostos decréscimos técnicos não influem na qualidade da produção, por vezes enriquecendo-a. A comédia foi um gênero bastante comum dentre as produções americanas. Podemos dizer que um dos grandes expoentes do berço do cinema foi Buster Keaton.


A comédia corporal é deliciosamente explorada pelo cineasta e ator. Mas ainda que gênio da comédia, seu primor e maior habilidade está na edição de filme. Aqui chamaremos a atenção para uma de suas produções mais proeminentes: Sherlock Jr, de 1924. Um projetista e faxineiro de um cinema pede em casamento uma garota. Seu rival, porém, o incrimina por roubar a corrente do relógio do pai da moça. O jovem projetista, aspirante a detetive, sente-se decepcionado. Ao ir trabalhar dorme em meio à projeção de um filme, e sonha que a película projetada é sobre a história dele como Sherlock Jr - o segundo melhor detetive só mundo, que desvendada o caso do roubo da corrente. Observe o filme abaixo, essencialmente o minuto 16. Observe os cortes da notória edição.



Utilizando apenas de edição - na época uma tesoura literal bastava - Buster Keaton faz uma das melhores cenas da época: sua figura permanece, cômica, fixada em tela como uma imagem inconsciente de ser apenas uma projeção, contínua na película, perpassando diversos e variados cenários em movimentos corporais hilariantes, enquanto incólume permanece a assistência, como indiferentes para a cena. Uma magia digníssima de aplausos.

Este post foi escrito por Bardo quando colaborador do Entre Sujeitos e Verbos

Anos 1 a 4

Jornalismo: a escolha e as primeiras impressões

06:11


Faz tempo que quero falar sobre jornalismo aqui. Hoje decidi escrever sobre como escolhi jornalismo, as primeiras impressões que tenho como caloura da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia e o que espero dos próximos semestres do curso, basicamente.

A escolha
Eu já pensei em fazer milhões de coisas desde pequena: pediatria, letras, engenharia da computação, direito... Na verdade, nada na área de saúde é pra mim. Pediatria era algo de criança. Letras, que também foi no tempo de criança, porque gostaria de ensinar (fui criada entre professoras, livros e papel) e é uma ideia que não abandono por completo, só considero outra área. Engenharia da computação quando estava cursando o técnico em eletrônica, mas me decepcionei com o mercado e desisti. Apesar de gostar de exatas, meu caminho sempre foi humanas. No quarto e último ano no Instituto Federal da Bahia, onde aprendi a gostar de filosofia, me encantava com as aulas de sociologia.

Pensei em fazer direito. Aliás, já vi muita gente que pensou em cursar direito e fez jornalismo e vice-versa. Eu tava chegando lá. Mas ainda não sabia disso. Queria fazer direito. Estava decidida (mais uma vez!). A maioria das pessoas não conhece seus direitos e deveres e eu queria fazer parte disso. Pensava em ser defensora pública pra ajudar as tais pessoas. Então uma vez me perguntaram o que me atraía no direito. Eu demorei alguns segundos pra responder. Depois vim com o papo da defensoria. Eu queria levar informações para as pessoas (mas isso não é papel do jornalista?).

Os segundos que levei pra responder me incomodaram (e muito!). Não me senti segura na minha afirmação. As coisas não encaixavam e aquilo ficou martelando na minha cabeça. Então voltei a pesquisar milhões de coisas sobre cursos, mercados, profissionais que já atuavam na área, etc etc etc... como fiz milhões de vezes.

Depois de ler bastante sobre pessoas que faziam jornalismo, decorar a ementa do curso, as possibilidades de atuação e milhões de outras coisas, eu estava decidida (de novo!). Mas dessa vez seria pra valer. Fiz o Enem, consegui a vaga e uma semana depois de concluir o ensino médio, lá estava eu entrando na universidade. Na primeira semana, destinada a apresentar a faculdade e o curso, eu já estava encantada. A vontade era sair me inscrevendo em tudo que fosse possível. Uma sensação incrível de ter feito a escolha certa me fazia acordar cedo, pegar ônibus lotado e engarrafamento todos os dias sem reclamar (tá, é claro que a gente reclama dessas coisas de vez em quando).

Então começaram as aulas, a velha pergunta sobre porque você escolheu o curso e eu tão certa respondendo que queria apenas que essa certeza me acompanhasse pelo resto da vida.

O primeiro impacto
Jornalistas são uma espécie incompreendida pela sociedade. Sensacionalismo, manipulação, falta de veracidade nas informações, tudo isso mexe com o nosso campo profissional, apesar de a credibilidade jornalística se manter forte, ao meu ver, durante todos esses anos e, espero eu, por muitos mais. Senti isso ainda antes de começarem as aulas do primeiro semestre. No dia da matrícula, a mãe de alguém que estava se matriculando perguntou qual era meu curso. Quando respondi felizmente "jornalismo", não ouvi um "interessante" ou mesmo "por que escolheu esse curso?". Eu ouvi "e você tem cara de pau? por que jornalistas são todos caras de pau". Confesso que não queria ouvir aquilo e nem sabia como responder exatamente. Achei que não valeria a pena continuar a conversa. Apenas respondi que escolhi porque achava muito interessante, importante e esperava que fosse uma boa escolha.

O que posso dizer é que estou começando o segundo semestre e tem sido uma excelente escolha, que agora irei compartilhar aqui no Entre Sujeitos e Verbos.

A certeza
Sempre gostei de pessoas, de ouvir e de contar histórias, ler, pesquisar... Sempre soube disso e a faculdade tem me lembrado e me ensinado como ouvir e contar histórias, como procurar o que ainda não foi dito e dizer a quem interessa e as milhões de formas de se fazer isso. Eu sei e tenho descoberto ainda mais que o jornalismo, assim como diversas, senão todas as áreas profissionais tem seus problemas e tenho que estar disposta a enfrentá-los ou mesmo aceitá-los. Mas sei que quero fazer isso. Quero contar às pessoas o que elas querem ou precisam saber.

Acompanhe no Instagram

Acompanhe no Facebook

A partir do dia 03/08/2013, as fotos são de autoria do autor do post, quando não indicado o contrário.
Antes dessa data, as fotos utilizadas aqui no blog foram encontradas na internet, quando não indicado o contrário. Se você é ou conhece o autor, informe nos comentários e colocarei os devidos créditos :)